Se você acompanha o mundo do JavaScript, sabe que o Node.js está em constante evolução. Lá atrás, ele trouxe o poder do JavaScript para o servidor. Agora, em 2026, está cada vez mais próximo do navegador. A versão atual trouxe uma série de melhorias que tornam o desenvolvimento mais rápido, seguro e padronizado.

APIs Web nativas: fetch, FormData e Web Streams

Até pouco tempo atrás, usar fetch ou FormData no Node exigia instalar bibliotecas externas. Em 2026, essas APIs vêm integradas ao runtime. Isso significa que você pode buscar dados de uma API REST ou enviar um formulário multipart com a mesma sintaxe usada no front-end, sem depender de pacotes extras.

A inclusão de Web Streams também facilita o consumo e o processamento de grandes volumes de dados em tempo real, usando a mesma semântica já conhecida no navegador. Essas APIs nativas deixam o código mais compatível entre front-end e back-end, reduzem dependências e melhoram a performance.

JavaScript
// Exemplo de uso do fetch nativo no Node

const response = await fetch('https://api.example.dev/users/1');
const user = await response.json();

console.log(user.name);

Motor V8 e desempenho

O Node.js depende do motor V8, o mesmo que equipa o Google Chrome. Em 2026, a versão embutida no runtime trouxe melhorias importantes de performance. O novo gerenciamento de memória torna a alocação e a coleta de objetos mais eficientes, reduzindo pausas do garbage collector.

Além disso, a engine JIT TurboFan ficou ainda mais inteligente, gerando código nativo mais otimizado para loops, closures e chamadas recursivas. Na prática, isso significa menor tempo de execução em aplicações complexas e melhor aproveitamento de recursos do servidor.

Com essas otimizações, operações de I/O continuam não bloqueando o event loop, mas agora com menor overhead na resolução de promises. O resultado é um servidor que consome menos recursos e atende mais requisições por segundo, sem exigir grandes mudanças no seu código.

Test Runner integrado: testes sem dependências externas no Node.js

Se você já escreveu testes com Mocha, Jest ou outras bibliotecas, sabe que sempre foi necessário instalar dependências adicionais. Agora o Node traz um test runner nativo. Basta escrever suas funções de teste usando a API test() do módulo node:test e executar node --test.

JavaScript
// sum.test.js
// Exemplo de teste usando o test runner nativo

import test from 'node:test';
import assert from 'node:assert';

function sum(a, b) {
  return a + b;
}

test('should sum two numbers', () => {
  assert.strictEqual(sum(2, 3), 5);
});

O comando node --test encontra automaticamente os arquivos de teste e exibe um relatório amigável no console. Isso reduz configuração, incentiva boas práticas e torna os testes parte natural do desenvolvimento desde o início.

ESM por padrão e top-level await no Node.js

Outra mudança importante é a adoção definitiva dos ECMAScript Modules (ESM). Agora você pode usar import e export nativamente, sem precisar de transpilers ou do antigo require(). A resolução de dependências fica mais previsível e alinhada com o padrão da web.

Com ESM, recursos como import() dinâmico e top-level await passam a fazer parte do fluxo normal da aplicação, permitindo escrever código assíncrono diretamente no escopo do módulo.

Para habilitar ESM em projetos antigos, basta definir "type": "module" no package.json ou usar a extensão .mjs. Em projetos novos, isso já é o comportamento padrão.

Conclusão e próximos passos

O Node.js em 2026 reforça seu papel como um runtime universal para JavaScript. APIs web nativas reduzem dependências, o motor V8 turbina a performance, o test runner integrado incentiva testes desde o início e o ESM moderniza a forma como trabalhamos com módulos.

Se você ainda não atualizou seu projeto, este é um ótimo momento. Experimente as APIs nativas de fetch e FormData, escreva alguns testes com node --test e migre seus módulos para import/export. Seu código ficará mais limpo, padronizado e preparado para as demandas da web moderna.